Inovação Pedagógica e Modernidade Líquida: o que está acontecendo no ensino superior?

Recentemente foi lançada mais uma edição da Revista EM ABERTO, organizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e destinada à veiculação de questões atuais da educação brasileira. Na edição 97, foi editada uma versão bem interessante sobre Docência Universitária.

Entre os vários artigos publicados, temos um da professora Maria Isabel da Cunha intitulado “Inovações na educação superior: impactos na prática pedagógica e nos saberes da docência”.  As pesquisas de Cunha, nesta área, têm influenciado várias pesquisas e este novo artigo abre debates bem pertinentes sobre inovação pedagógica e educação superior.

A autora delimita três condições que influenciam a educação superior na contemporaneidade: o valor ainda da perspectiva positivista na construção do conhecimento, a crescente ampliação das tecnologias digitais nos espaços acadêmicos e por fim  a educação superior pela sua condição de formação profissional, através das palavras do sociólogo Baumann quando assume a Modernidade Líquida.

Os estudos de Baumann sobre a Modernidade Líquida defendem que o  conhecimento construído na atualidade pode não mais ser útil daqui a muito pouco tempo, com profundas repercussões nas trajetórias dos sujeitos, mesmo no contexto de uma mesma profissão. “Tecnologias ficam obsoletas com uma rapidez incrível e o apelo da atualização constante é elemento de mais-valia, ao mesmo tempo que resulta numa condição emocional estressante”.

A partir dessas três condições, Cunha, através dos estudos de Boaventura de Souza Santos, Lucarelli e Leite et al, assume a perspectiva da inovação pedagógica como uma ruptura paradigmática. A autora (2016, p. 94) afirma que “as inovações se materializam pelo reconhecimento de formas alternativas de saberes e experiências, nas quais se imbricam objetividade e subjetividade, senso comum e ciência, teoria e prática, cultura e natureza, anulando dicotomias e procurando gerar novos conhecimentos”.

A autora descreve o papel da sala de aula como um cenário de múltiplas possibilidades para alunos e professores, exigindo uma ampliação do conceito de aula na condição coletiva. Por sua vez, o currículo assume uma perspectiva epistemológica que altera a relação entre teoria e prática. “No campo do currículo significa inverter a relação teoria e prática, incorporando os princípios da pesquisa nas formas de ensinar e aprender, assumindo a compreensão da ecologia dos saberes e da sociologia das ausências“, defende a pesquisadora.

Bem, é um artigo que retraduz antigas concepções sobre inovação pedagógica da autora, entretanto amplia novas questões que urgem na Educaçao Superior. Super recomendo a leitura.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *